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terça-feira, 7 de junho de 2011

Bullying: nas escolas e em toda a sociedade


O problema é antigo e abrange todos os âmbitos sociais, porém nunca foi tratado com a devida atenção



Um fator problemático que encontramos nas escolas atualmente é o “bullying”. Este termo deriva-se da palavra “bull” que significa “touro”, então “bullying” é ir a cima de alguém como um touro – perseguir alguém. É aquele “cristo da sala” que todos pegam para crucificar. Em geral as vítimas de “bullying” são aquelas com diferenças físicas e/ou comportamentais, como os tímidos ou aqueles com dificuldade de aprendizagem. Em geral pegam alguém que terá dificuldade em reagir, o que torna mais fácil a hostilização e as chacotas.

Não há soluções milagrosas para resolver o problema do “bullying” nas escolas, como a sociedade pede neste momento. Aliás, querer uma solução imediata para um problema tão complexo, significa querer eliminá-lo, tirá-lo do campo de visão para não ter que lidar com esse problema.
O problema é antigo e abrange todos os âmbitos sociais, porém nunca foi tratado com a devida atenção.


Vou apresentar aqui alguns aspectos a serem considerados.

Hoje em dia o ser humano carrega em sua estrutura interior a idéia “invertida” de que o “crime compensa”. Por este motivo em primeiro lugar, a criança tem que ter reforçado nesta sua estrutura interior que viver é fazer o bem e é isto que deve estar impregnado no seu ser, no seu próprio DNA. Se não for assim, ela vai pensar a vida toda que o mal é benéfico, que tirar vantagens dos outros é melhor, que roubar é mais fácil, que agredir é bom entre outros enganos.

Considerando o ambiente doméstico, a situação do “bullying” é bastante grave. Quando uma criança vê a agressão sendo feita com sua mãe ou com o seu pai ou com seus irmãos, é um “bullying” constante em sua própria casa, mesmo que a agressão não seja feita a ela diretamente.

O nível de violência é assustador. A Unicef estima que, diariamente, 18 mil crianças e adolescentes sejam espancados no Brasil. Os acidentes e as violências domésticas provocam 64,4% das mortes de crianças e adolescentes no país, segundo dados de 1997.

O psicanalista e cientista social brasileiro, Norberto Keppe, no livro “A Psicanálise da Sociedade“ aborda: “Nós temos de humanos apenas o nome, porque não temos contato com os próprios sentimentos e, muito menos, com o dos outros. Por esse motivo, não nos respeitamos, e procuramos fazer com o exterior a mesma destruição. Assim sendo, a humanidade não está conseguindo sobreviver, pela sua incapacidade de conscientizar sua forte necessidade de destruir, pois estamos sem dúvida alguma na fase do ódio, no sentido social, no relacionamento com os outros, e não percebemos que, inicialmente, ele é dirigido contra nós mesmos, cabendo aqui a frase: odiar aos outros, como a nós mesmos.”

De acordo com uma pesquisa da Comission on the Status of Women da ONU, no mundo, de cada três mulheres, pelo menos uma já foi espancada ou violentada sexualmente. Em 2001, a Fundação Perseu Abramo mostrou que uma em cada cinco brasileiras já foi agredida por um homem. E 2,1 milhões de mulheres são espancadas por ano – ou uma a cada 15 segundos!

Os dados são assustadores. Ficamos estarrecidos ao ver quando um jovem entra numa escola e mata colegas e professores. Vivemos numa sociedade “bullying”! Os filhos estão agindo como os pais, talvez com menos máscara, mas agridem os colegas como os pais agridem os outros e a sociedade.

Ninguém pode negar que vivemos numa sociedade materialista em que os valores mais apreciados são competir, ganhar a qualquer custo, arrogância, pisar nos outros, acumular riquezas em detrimento do ser, espoliar, extorquir etc. Sendo assim, a realidade e a verdade são manifestações desta delinquência, como se fosse o certo. Portanto, o que acontece hoje nas escolas (a intimidação, a rejeição, a exclusão, os maus-tratos, a crueldade psicológica, enfim, o “bullying”) é uma reprodução do que os adultos fazem hoje. Vivemos numa sociedade de superbullyings.

A educação atual dos vídeos games, do acesso ilimitado à internet, da TV, filmes violentos, de todos os meios de comunicação de massa a serviço do poder econômico, o ambiente familiar, bombardeando a mente de nossos filhos e alunos com estímulos e informações que eles não têm condições e nem maturidade de analisar e distinguir, é uma violação à estrutura boa, bela e verdadeira do interior deles, mostrando o grande “bullying” que fazemos com eles.
Quem ensina o filho a só querer ganhar dinheiro, ensina o filho a ser delinqüente. O filho é o resultado dos pais, da família e da sociedade. E à medida que o indivíduo abraça esta sociedade materialista voraz, ele se torna um sociopata (doente social). Nós temos essa atual sociedade em nosso interior.

Outro aspecto a ser considerado sobre as características do individuo que sofre o bullying: Muitas vezes já é alguém problemático: pode ser gordinho por motivos de ansiedade, ou de maior inveja e voracidade que o normal dos colegas; é tímido por ter uma atitude de muita idealização de si mesmo, ou por ser excessivamente mimado. Pode ser isolado por se sentir melhor que os demais ou por ter tido uma educação muito rígida e intransigente por pare dos pais. Pode ser excessivamente vaidoso (narcisista) e ter muita preocupação com sua aparência. Em alguns casos, seus pais não têm o suficiente cuidado para educá-los, vesti-los, dar-lhes boas maneiras – criando crianças “diferentes”. Em certos casos já apresenta uma conduta de inadaptação a realidade ou até a própria sexualidade. Fato é que são crianças que despertam estranheza em seus colegas os quais, ao invés de os auxiliarem, os atacam, provocando uma exacerbação dessas problemáticas.

A humanidade não quer ver os seus próprios sentimentos. Porém, podemos viver no melhor de todos os mundos, desde que vejamos o pior de nosso interior – parece uma incoerência, uma ironia, mas somente desse modo, deixaremos de projetar no exterior aquilo que não queremos contatar em nós mesmos.
Portanto, é somente com a conscientização individual e social que estaremos tratando de problemas como o “bullying” nas escolas, nos lares e toda a sociedade.

(*) A autora é Professora de Idiomas e autora do livro “Terapia em Sala de Aula.

Por: Luciara Avelino*
SÃO PAULO

Fonte: http://bit.ly/j4ub4p 


* Grifos meus // by Ellen B.

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