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quarta-feira, 11 de maio de 2011

Experiência mostra que bullying altera composição química do cérebro




Uma pesquisa com ratos da Universidade de Rockefeller, nos Estados Unidos, descobriu que o bullying persistente tem efeitos não apenas na autoestima, como na composição química do cérebro daqueles que sofrem a agressão.

Os resultados do estudo mostraram que os ratos que foram vítimas de bullying desenvolveram, além de um nervosismo pouco comum perto de novas companhias, uma maior sensibilidade à vasopressina, um hormônio ligado a uma variedade de comportamentos sociais.
Segundo os pesquisadores, as descobertas sugerem que o estresse social crônico afeta o sistema neuro-endócrino, fundamental para comportamentos sociais como o cortejo, ligação entre pares e comportamento paternal. Mudanças nos componentes desses sistemas implicam em desordens como fobias sociais, depressão, esquizofrenia e autismo, afirmam os pesquisadores. Assim, as descobertas do estudo sugerem que o bullying pode contribuir para o desenvolvimento de ansiedade social de nível molecular a longo prazo.
Para realizar o estudo, os pesquisadores desenvolveram um cenário que simula um pátio escolar onde um pequeno rato é colocado em uma jaula com diversos ratos maiores e mais velhos, que vão sendo substituídos a cada dez dias. Como os ratos são animais territoriais, cada nova chegada ocasionava uma briga, que era sempre perdida pelo novo ocupante da jaula.
Após a briga, os pesquisadores separavam os animais fisicamente com uma grade que permitia ainda que o animal perdedor visse, ouvisse e sentisse o cheiro do outro, criando uma experiência de estresse.
Depois de um dia de descanso, o rato perdedor, que passou por essa situação de estresse extremo, era colocado na presença de um outro rato não ameaçador. Nesta situação o rato vítima de bullying era mais relutante na hora de interagir com outros ratos. Eles também desenvolveram uma tendência a "congelar" em um lugar por tempos mais longos e frequentemente demonstravam estar avaliando riscos em relação a seus colegas de jaula. Todos esses comportamentos indicam medo e ansiedade.
Os pesquisadores então passaram para a análise do cérebro desses ratos, particularmente da parte do meio do córtex pré-frontal que é associada ao comportamento social e emocional. Eles descobriram que a expressão dos receptores de vasopressina havia aumentado, tornando os ratos mais sensíveis a esse hormônio, que é encontrado em altos níveis em ratos com distúrbios de ansiedade.
Os pesquisadores também deram para um grupo de ratos um medicamento que bloqueia os receptores de vasopressina, o que controlou o comportamento ansioso de diversos ratos vítimas de bullying.
A pergunta que ainda precisa ser respondida é por quanto tempo duram os efeitos do bullying no cérebro. Embora ainda não haja uma resposta certa, os pesquisadores afirmam que há evidências de que traumas psicológicos ocorridos no início da vida podem continuar afetando uma pessoa por toda a vida.

Fonte: Correio do Estado  

terça-feira, 10 de maio de 2011

BULLYING: EU SUPEREI


Palestra, criada por gente que sofreu ou praticou bullying, ensina como dar a volta por cima

Publicada em 10/05/2011 às 08h31m
                                                                                                                                        Marina Cohen
                                                                                           
Não foi por conta da tragédia na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, nem do estudante australiano Casey Heynes que um grupo de seis jovens decidiu montar a mistura de palestra e peça teatral "Bullying - Não quero ir pra escola". O motivo foram as histórias que os próprios atores viveram na pele.
Tudo começou ano passado, quando Juliana Duarte, de 27 anos, percebeu que precisava compartilhar sua experiência (aos 12, ela se mudou para Porto Alegre e enfrentou uma barra pesada no novo colégio) com adolescentes como o seu sobrinho, de 12 anos, que pouco sabia sobre o assunto.
- Como muitos garotos, ele é bombardeado por informações sobre bullying, mas não tinha noção de como combater isso - explica Juliana, que superou seu problema e, hoje, até namora um dos meninos que riam dela na escola.

A atriz convocou os amigos Ana Beatriz Corrêa, Rafael Oliveira, Victor Meirelles e Alisson Silveira, além do roteirista e ator João Pedro Roriz, que transformou as histórias numa palestra com esquetes, que tem rodado escolas brasileiras. A primeira foi apresentada em janeiro, e, de lá para cá, as reações têm deixado os atores de boca aberta. Em uma das encenações, um bully (quem persegue os colegas) de 16 anos reconheceu seu "pecado" na frente da turma e pediu desculpas à vítima.
- Foi uma atitude corajosa. Os dois choraram e se abraçaram - lembra Ana Beatriz.
Para provar que tem muita gente dando a volta por cima, dá só uma conferida na lista de celebs que sofreram com a implicância: Justin Timberlake (tinha espinhas e um cabelo horrível), Taylor Swift (era excluída por ser "estranha"), Robert Pattinson (chegaram a bater nele), Miley Cyrus (colegas criaram o Clube Anti-Miley), Tom Cruise (por ter dislexia, era chamado de burro) e Megan Fox (era ridicularizada por querer ser atriz). E até o astro Justin Bieber está fazendo campanha contra bullying. Ele convidou para subir ao palco durante um show na Austrália, semana passada, Casey Heynes - o estudante que aplicou um golpe digno do game "Street Fighter" num menino que o azucrinava. Dias antes, o cantor havia sido atingido por ovos durante outra apresentação.
- Apesar da injustiça dessas situações, não devemos combater com violência. A sociedade transformou Casey em herói e, mês passado, colhemos o resultado disso, em Realengo. Mais um "herói", transtornado e solitário, achou o caminho da vingança. Orientamos os alunos que sofrem bullying a relatar tudo a pais e professores - alerta João Pedro.
Quem quiser levar a peça "Bullying - Não quero ir pra escola" ao seu colégio pode entrar em contato pelo 9632-5420 ou 7708-5819.

VÍDEO: Assista a um trecho da palestra dramatizada "Bullying - Não quero ir pra escola"
http://oglobo.globo.com/educacao/video/2011/23295/

Atores da peça contam suas histórias:

JOÃO PEDRO RORIZ, ator e escritor: Na adolescência foi tachado de ignorante e até "retardado" por não conseguir acompanhar o pensamento dos colegas e não tirar boas notas. As agressões eram psicológicas e físicas. Hoje, João Pedro tem nove livros infantojuvenis publicados. "Isso prova que a adolescência não é para sempre!", diz.

JULIANA DUARTE, advogada e atriz: Carioca, ela se mudou para Porto Alegre com 12 anos e passou a ser excluída no novo colégio. "Um dia, umas meninas da sala roubaram meu livro de história. Para pegar de volta, tive de me expor no meio de uma roda de 20 pessoas. O livro foi entregue todo rabiscado e dentro de uma camisinha", relata Juliana, que, ao recorrer os professores, ouviu uma acusação: "As garotas implicam porque você deixa".

VICTOR MEIRELLES, ator: Os colegas sempre roubavam seu material. "Meu pai dizia que era coisa de menina e mandava eu pegar as coisas de volta", conta. Numa dessas, Victor levou uma surra dos grandalhões e ainda tomou uns cascudos em casa, por ter ficado sem os livros. A situação só melhorou quando ele passou a andar com a turma das artes marciais.

RAFAEL OLIVEIRA, ator: Depois de aguentar muita zoação na infância, Rafael cresceu e se tornou o mais forte da turma. O jogo, então, virou. "Passei a distribuir maldade para me afirmar. Eu não me reconhecia no outro, achava que era diferente dos nerds", lembra. Ele diz que abandonou a prática com 16 anos, quando arranjou uma namorada.

                               Guia rápido antibullying

COMO IDENTIFICAR: Há diferenças entre uma ação nociva e a implicância de amigo. A maior delas é a frequência: o bullying é uma tentativa constante de reduzir o outro.

O QUE FAZER: Conversar com pais e professores; caso eles não deem ouvidos ao problema, é possível recorrer ao Conselho Tutelar. A melhor opção é abrir o jogo. Quem passou por isso garante que o diálogo traz a chance de uma identificação com o outro. Quando nasce o respeito, o bullying acaba.

O QUE NÃO FAZER: Revidar só alimenta o comportamento agressivo. Se isolar também não é a solução, pois aumenta ainda mais a solidão.

CYBERBULLYING: Vem em forma de perfis "fake" nas redes sociais, fotomontagens que ridicularizam o aluno e até "hackeamento" de computadores. É uma ação mais sutil e, por isso, mais difícil de ser detectada pelos pais e professores.


FONTE:
 JornalOGlobo http://t.co/VCgkS3a


segunda-feira, 9 de maio de 2011

O debate sobre o “bullying” está todo atrapalhado


Uma das pragas no nosso tempo é a “psicologização” do mundo. Explico-me: sei que a dimensão psíquica está presente em todo fato humano. Não estou negando isso. O que me incomoda, na verdade, é a banalização de categorias psicológicas ou psicanalíticas, que passam a ser manejadas de maneira simplista, transformando-se num risco potencial ao menos. Quantos pais, contaminados, por exemplo, pela baboseira da educação “libertária” — que nunca “reprime” —, criam verdadeiros monstrinhos, sem idéia de limites?

Já fui professor. Sei que isso a que se passou chamar “bullying” existe. É uma coisa séria. As escolas, no geral, não trabalham adequadamente com o assunto.
Mas vamos devagar aí! É preciso tomar dois cuidados:

a) não chamar “bullying” o que é, muitas vezes, um choque de diferenças. Crianças e adolescentes precisam ser, em larga medida, “reprimidos” mesmo, contidos. Mas o choque é inevitável. Cumpre não criar monstros da intolerância, mas também não criar “cotas” de tolerância. Sempre adorei futebol, mas fui um jogador lastimável. Era, além de tudo (sou) meio cegueta. Os meus amigos zoavam da minha ruindade? Sim! Sempre que pude, me vinguei no que conseguia ser melhor. Nem eu nem eles viramos jogadores de futebol. As minhas habilidades de então são mais úteis para mim hoje do que as deles para eles. A vida é complexa…
Quando afirmo que os educadores, em regra, não estão preparados, estou querendo  destacar que o alvo do “bullying” precisa ser lembrando, com a linguagem adequada à sua idade, que ele também é parte daquela narrativa; também é personagem. O bullying não se faz só com a ação dos molestadores, mas também do molestado. Uma escola não pode eleger nem as vítimas de expiação nem as vítimas de estimação.

b) Essa história de associar o “bullying” a assassinatos em massa ou algo assim é similar à sociologia barata que associa o crime à pobreza. Pode até haver uma certa correlação? Pode! Mas relação de causa e efeito, bem, isso eu não creio. Assim como o pobre que vira bandido precisa tomar a decisão moral de fazê-lo (em oposição à esmagadora maioria de pobres que escolhem não ser), entendo que o “bullying” possa exacerbar alguma doença psíquica que o sujeito já tenha; pode ser um fator agravante, não determinante.
Por que escrevo isso tudo? Porque acredito que é preciso tomar certos cuidados. Na sociedade da hiper-informação, tudo circula. Não me aparece adequado fazer a seguinte relação: “causa: era discriminado pelos amigos - efeito: saiu matando”. Adolescentes vivem injuriados pelos mais diversos e, quase sempre, irrelevantes motivos. Essa narrativa da “vítima” que se vinga pode ser mal digerida por  quase-crianças que não têm o devido discernimento, ainda que mentalmente saudáveis.

O bullying, em suma, não pode ser tratado, por um caminho perigosamente insuspeitado, como a explicação para o triunfo trágico da vítima. É preciso que fique claro que o assassino das crianças as matou porque tinha uma grave doença psíquica, não porque era alvo da chacota dos colegas.  É preciso ficar bem claro que ninguém mata por isso!!!!

Por Reinaldo Azevedo

domingo, 8 de maio de 2011

O bullying e a omissão




Encontrei esse manifesto nas minhas pesquisas pela internet, postada abaixo de uma matéria sobre O Bullying e a omissão

Vejam a importância de nós, Pais, SEMPRE estarmos atentos!!! Esta, por experiência própria é, na minha opinião, a melhor prevenção no combate ao Bullying!! 
Embora, estarmos atentos não nos dê a convicção da proteção integral frente à este perigo tão iminente, ao menos, temos a certeza, que é uma condição sine qua non   para evitar  a  perpetuação dessa prática. 

Abraços,
Ellen Bianconi



Maricá, 30 de outubro de 2008.

À Secretaria de Educação do Município de Maricá.

                                                    MANIFESTO



Eu, Nelson ……………. de Azevedo Neto, na qualidade de PAI, da aluna ………………… Soares de Azevedo, 11 anos de idade, cursando a 4ª série (Turma ….) do ensino fundamental, na ESCOLA MUNICIPAL …………………….., situada neste município, quero registrar, por intermédio desta, a minha profunda indignação, devido ao “CAOS” que se instalou nesta escola, desencadeando fatos graves, que vem ocorrendo sucessivamente desde o início deste ano letivo. Entre tais fatos cito alguns que presenciei e/ou tomei, conhecimento e que envolvem crianças entre 7 e 12 anos como autores ou vítimas, inclusive minha filha. São eles: Agressões violentas constantes, assédio sexual e, furtos entre alunos; exposição à elevado grau de risco e ao constrangimento na superlotação do transporte escolar municipal; e a omissão de alguns funcionários da escola presente aos fatos.

É com pesar que constatei o total descaso e despreparo com que é tratada, em algumas escolas públicas deste município, a questão da metodologia educacional, além da filosofia equivocada e hipócrita de alguns educadores que confundem o exercício da autoridade (em nível escolar) e a promoção da ordem e respeito mútuo, com a violação do “Estatuto da Criança e do Adolescente”, promovendo a omissão como forma de protegerem-se de possíveis represálias e/ou sanções legais, dando a sensação de impunidade a alunos totalmente desajustados e contribuindo para a continuidade de um comportamento muitas vezes de conotação criminosa, em detrimento dos direitos constitucionais legítimos de bons alunos que freqüentam a escola para estudar/aprender, e que nestes casos, devem prevalecer sobre os direitos daqueles que se portam, insistentemente, de forma delinqüente, sob pena de, numa total inversão de valores, contribuir para formação de futuros cidadãos omissos e com total desprezo as regras de convívio em sociedade. Por mais que se compreenda que na maioria das vezes as políticas públicas voltadas para a educação deixem, em muito, à desejar, desmotivando e dificultando o trabalho dos profissionais da educação… E mesmo consciente da responsabilidade familiar na formação do caráter de seus dependentes… Não há nada que justifique a OMISSÃO e a NEGLIGÊNCIA de alguns profissionais que formam o quadro funcional de uma escola pública, intitulados “educadores(as)”, mas que, infelizmente, muitas vezes parecem desconhecer que dentre suas principais atribuições e responsabilidades estão:

- Transferir conhecimento;


- Promover e/ou contribuir para um ambiente escolar propício ao aprendizado;

- Preparar os seus alunos para o convívio social e o exercício da cidadania;
- Zelar pela segurança e bem estar dos alunos enquanto estiverem sob sua responsabilidade…

Esta omissão e/ou negligência por parte de educadores que atuam no ensino de base (fundamental) conflita diretamente com a formação moral passada pelos pais que realmente se importam com o futuro de seus filhos, confundindo-os, desiludindo-os e, muitas vezes, deformando o caráter. Além de transferir para estes alunos a responsabilidade de decisão e ação diante de situações de conflito e risco que muitos deles nunca experimentaram, devido a pouca idade e imaturidade dos mesmos. Tal conduta caracteriza uma ATITUDE COVARDE, QUE NÃO CONDIZ COM QUEM SE PROPÕE E É PAGO PARA EDUCAR, ORIENTAR, E CONTRIBUIR PARA QUE NOSSOS FILHOS TORNEM-SE CIDADÃOS PRODUTIVOS E “DE BEM”…


“… DIARIAMENTE ASSISTIMOS EM NOTICIÁRIOS QUE DIVERSAS ESCOLAS PÚBLICAS TORNARAM-SE TERRITÓRIOS ONDE IMPERA A “LEI DO CÃO”… AONDE PROFESSORES E ALUNOS SE VEÊM REFÉNS DA VIOLÊNCIA… TENHO A CONVICÇÃO QUE ISTO REFLETE, ENTRE OUTRAS CAUSAS, A INÉRCIA, O DESCASO, A POLÍTICA INCOERENTE E IRRESPONSÁVEL DE POLÍTICOS E AUTORIDADES, BEM COMO A CLASSIFICAÇÃO DE CIDADÃOS “DE BEM” COMO ALIENADOS PELO “ESTADO”. E, PRINCIPALMENTE, PELA PROMOÇÃO DA CULTURA DA “NÃO REAÇÃO” DIANTE DA AÇÃO DE “DEGENERADOS”… SE HOJE VIVENCIAMOS UMA GUERRA ATÉ DENTRO DE NOSSAS ESCOLAS… É CHEGADA A HORA DE TODOS ESCOLHERMOS UM LADO E ENCARARMOS O INIMIGO DE FRENTE PARA CONSEGUIRMOS AVANÇAR NO CAMPO DE BATALHA… OMITIR-SE, É SE COLOCAR EM FOGO CRUZADO, DUPLICANDO AS CHANCES DE SER ATINGIDO… ACOVARDAR-SE É ENFRAQUECER UM LADO E CURVAR-SE AO OUTRO… COMO HOMEM, PAI, CIDADÃO DE BEM, COM VISÃO CLARA “DO CERTO E DO ERRADO” E CAPACIDADE INEQUÍVOCA DE DISTINGUIR O “BOM” DO “MAU”, JÁ ESCOLHI O MEU LADO… E LUTAREI MESMO QUE DE FORMA SOLITÁRIA… E É ESTE LEGADO QUE DEIXAREI PARA MINHA FILHA.”

“ENTRE ALGUNS DOS FATORES QUE MAIS CONTRIBUEM PARA A DEGRADAÇÃO DE UMA SOCIEDADE ESTÃO AS DIVERSAS FORMAS DE MANIFESTAÇÃO DA COVARDIA.”


               ………………………………………………………………………………




CONCLUSÃO: Após a apresentação deste manifesto e de uma conversa franca e “contundente” a uma comissão formada pelos diretores e “educadores” da escola onde o “caos imperava” durante uma reunião extraordinária convocada numa plena sexta-feira, bastou apenas o período de um fim-de-semana, para que a mesma escola onde, até então, os alunos balburdiavam, depredavam o seu patrimônio, e se hostilizavam/agrediam nas dependências da mesma, inclusive durante as aulas e na presença dos professores, se transformasse quase num paraíso educacional, onde era possível escutar o arrulhar dos pombos que passeavam nas dependências externas… E, esta paz e civilidade relativa – digo relativa porque havia uma “guerra” interna entre diretores e funcionários/educadores – durou até o fim do ano letivo… No entanto, quando, em conversa com o então secretário de educação do município, percebi que o mesmo não passava de um “come-e-dorme”, incompetente, e leniente com suas funções, decidi transferir minha filha para uma escola pública estadual que apresentava um quadro administrativo escolar aceitável, e nesta ela permanece até hoje, além de ser avaliada pelos educadores como aluna exemplar, inclusive com alguns prêmios recebidos em concursos organizados pelo MEC… Quanto aos alunos da escola anterior, receio que os não terão as mesmas oportunidades da minha filha… E ISTO EU CONSIDERO LAMENTÁVEL…


Fonte: http://www.cartacapital.com.br/saude/o-bullying-e-a-omissao

sábado, 7 de maio de 2011

Porque não dá pra não falar de Mãe!!



                                                            
Mães tem cheiro bom, tem colo quente, tem sorriso perfeito, tem palavras doces ainda que seja de repreensão. É forte para proteger, é destemida para encarar as dificuldades, é uma fortaleza nos momentos mais dificeis, é sincera quando diz "te amo". Ah! quantas qualidades existem em uma mãe...

Que ser maravilhoso é este? Capaz de renunciar seus sonhos em favor de outra pessoa e ainda assim, se sentir realizada. É capaz de passar a noite toda acordada, velando o sono de seu filho e se sentir privilegiada por isso. Dá tudo de si sem nada esperar em troca, somente com o objetivo de fazer alguem feliz.

Mãe acredita quando ninguém mais acredita, luta quando todos dizem que não vai dar mais, encoraja quando todos tentam te parar, enxuga suas lágrimas quando elas insistem em escorrer dos olhos e te faz confiar quando sorrindo te diz que "tudo vai dar certo".

Carinho de mãe é perfumado como as flores, comida de mãe é melhor do que qualquer manjar, conselho de mãe é preciosidade que faz bem pela vida toda. "Mães são anjos que Deus colocou na terra para ajudá-Lo a cuidar de seus filhos".

Domingo é dia das mães, amanhã também será dia das mães... todos os dias são dia das mães, pois sempre que precisamos, ali estão elas prontas para cuidar, proteger e sempre amar incondicionalmente. Somente o amor de mãe é comparado ao amor de Deus.

Parabéns Mamães...



^^ Este Post eu acabei 'roubando' de um amigo querido ( Sandro Vasconcelos ), pois expressa muito bem o amor de uma Mãe e não dá pra não fazer uma homenagem para o ser humano mais maravilhoso do Mundo: A minha, a sua, as nossas Mães!!

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Um triste esclarecimento sobre a ABRAPIA =/


   Outro dia estava assistindo uma Palestra quando ouvi como referência a, extinta, ABRAPIA ( Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e ao Adolescente ) como se a mesma estivesse funcionando normalmente. Num outro dia, li uma reportagem que, também, recomendava os leitores  procurarem por ajuda através da associação.
Acredito que por ser um referencial tão importante com relação ao Bullying, as pessoas não acreditem que a ABRAPIA não mais funcione. Mas, INFELIZMENTE, essa é a verdade: A ABRAPIA fechou e há muito tempo! ( Ao conversar com o Dr Aramis Lopes, no início do mês passado para contar as novidades do nosso processo movido contra o colégio NSP, fiquei sabendo desta triste notícia)
Eu, particularmente, fiquei extremamente arrasada porque, sinceramente, eu não saberia dizer que rumo teria tomado a história do bullying que a minha filha sofreu. Sou e serei muito grata a toda equipe, em particular ao Dr Aramis, pela ajuda e orientação recebida na época. O Dr Aramis terá a minha admiração eterna!
 Apesar de acreditar que o trabalho desenvolvido por eles deixou sementes que hoje colhemos, (se a sociedade consegue enxergar o Bullying e todos os seus malefícios, isso se deve com toda certeza ao ‘plantio’ executado graças a visão precursora dos fundadores da ABRAPIA), não há como não lastimar a falta que esta Associação faz!

Vale ressaltar o trabalho do Dr. Aramis Lopes Neto, como presidente do Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade Brasileira de Pediatria  http://www.sbp.com.br/  e autor do livro ''Diga não ao Bullying''  e do Dr Lauro Monteiro como o editor do Observatório da Infância http://www.observatoriodainfancia.com.br


>> Vejam abaixo a entrevista que o DR Lauro Monteiro deu na época do fechamento.
  
Abrapia: Mais uma ONG fecha as portas

Há mais de 20 anos ele promove e defende os direitos de crianças e adolescentes. Fundador da Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e a Adolescência (Abrapia), o pediatra Lauro Monteiro por muito tempo levou adiante o trabalho da ONG por idealismo. Em suas palavras, "tinha um sonho a concretizar".
Duas décadas após a criação da organização, porém, ele está decepcionado. A falta de apoio financeiro fez com que decretasse o fim da entidade, responsável pela criação de serviços de atendimento e denúncia contra a exploração sexual infantil, além de campanhas contra o bullying (comportamento agressivo em escolas) em todo o país. Empresas e Estado deixaram de apoiar seus projetos. Devido às dificuldades que encontrou nos últimos anos, ele recomenda cuidado a quem pensa em abrir uma organização não-governamental. "Parei de procurar apoio. Meu conselho hoje em dia aos idealistas é 'não abra uma ONG'". Nesta entrevista, o pediatra conta as razões de sua frustração.

Rets - Por que, depois de 19 anos, a Abrapia fecha as portas?



Lauro Monteiro - Por vários motivos, mas o principal é a falta de apoio aos nossos projetos. A Abrapia completaria 19 anos em outubro. Criamos telefones de atendimento à crianças e adolescentes e pautamos a mídia por diversas vezes. Muitas das iniciativas da Abrapia foram pioneiras. Porém, desde janeiro de 2006, a entidade não recebeu nenhum centavo para pagar as contas, com exceção de contribuições esporádicas de amigos. Isso totalizava menos de mil reais. Logo, as atividades tiveram que ser interrompidas, pois não havia como pagar o salário dos funcionários e as despesas. Saio, no entanto, com a tranquilidade da missão cumprida. Não houve constrangimento algum.


Rets - Com quais apoios a organização contava?


Lauro Monteiro - Cada programa tinha um financiador. O programa Sentinela (de apoio a crianças vítimas de abuso sexual), por exemplo, era apoiado pela prefeitura do Rio de Janeiro. No fim de 2005, porém, fomos avisados que não haveria renovação do contrato. Até aí, tudo bem. O problema é que, durante muito tempo, tivemos que lidar com atrasos de pagamentos que nos obrigaram a pedir empréstimos para honrar nossos compromissos. Sem a renovação, ficamos sem dinheiro para pagar as dívidas. Chegamos a propor à prefeitura, quando da assinatura do contrato, uma cláusula que impunha uma multa para atrasos no pagamento, mas isso não foi aceito. Ficamos sem dinheiro para pagar os funcionários. Isso acaba com qualquer ambiente de trabalho.


Rets - A iniciativa privada tinha alguma participação no apoio a projetos?


Lauro Monteiro - Tivemos apoio de várias empresas, mas todos com data para acabar. O problema é que enfrentamos muita dificuldade para conseguir novos aportes. Fui a vários locais pedir ajuda, mas tudo era limitado demais. Surgiam, então, pessoas que faziam projetos e intermediavam os contatos com alguns financiadores, mas cobravam até 30% do valor do contrato. Como poderíamos abrir mão de um terço das receitas?


Rets - Você está frustrado com essa situação?


Lauro Monteiro - Como disse, estou tranquilo. Mas fico triste por ninguém ter assumido o Teca (Telefone Amigo da Criança e do Adolescente). É preciso convencer os governos da importância desse programa, que abre um canal para as vítimas denunciarem abusos. Mas já perdi a esperança. Outro exemplo é o programa de conscientização sobre a prática de bullying, problema antigo, mas nunca discutido. Trouxemos o projeto da Inglaterra em 2001, mais de dez anos depois de ele ser introduzido por lá. A Abrapia foi escolhida em uma seleção de projetos de uma empresa estatal e o programa foi considerado um sucesso. Quando o contrato chegou ao fim e perguntei se iriam renová-lo, pessoas de dentro da empresa me disseram que não, pois ele não era mais considerado prioritário, pois não se encaixava nos objetivos do Fome Zero. Daí me aconselharam a escrever um novo projeto, dentro da linha financiada pelo governo federal. Mas como a Abrapia faria isso? Não temos experiência em combate à fome. Nossa área é a de direitos da criança e do adolescente.
Depois de muita briga, decidi parar de procurar apoio. Meu conselho hoje em dia aos idealistas é "não abra uma ONG". O Estado não quer apoiar, as empresas também não. Há ainda muita confusão no terceiro setor.


Rets - Que confusão?


Lauro Monteiro - Há deturpações. Dizem que há cifras muito altas sendo gerenciadas por ONGs, mas essas são uma minoria. Há confusão entre as fundações empresariais e as ONGs. As pessoas pensam que devido à confortável situação financeira de algumas fundações, todas as ONGs estão assim. Eu trabalho como voluntário há muito tempo, não ganho nada com isso. Perdemos nossa sede uma vez, conseguimos outra. Tem gente que trabalha em sala emprestada. Claro que há pequenas organizações que, por vários motivos, se deram melhor que a Abrapia, mas isso não é um fato generalizado.

Rets - Por um lado, há falta de apoio financeiro, mas por outro também deve haver problemas administrativos. Falta profissionalismo ao terceiro setor no Brasil?



Lauro Monteiro - Falta. Não sei se para o bem ou para o mal. Hoje em dia, há muitos cursos de gestão de ONGs. Cheguei a ler vários livros de administração para entender um pouco melhor como as coisas funcionam, mas atualmente existe uma indústria em cima do terceiro setor. Ao mesmo tempo, precisamos de gente que trabalhe não pensando somente no dinheiro que vai ganhar, mas também nos objetivos da organização. No nosso caso, voltados para os direitos humanos. É possível profissionalizar a equipe até certo ponto. E isso é importante. Mas há dificuldade em conseguirmos profissionais qualificados em todas as áreas. Conseguimos atrair muita gente boa para a parte programática da ONG, para atuar em suas atividades-fim, mas para a parte administrativa, por exemplo, é mais difícil. Poucas organizações têm como pagar os salários de mercado para bons profissionais de administração.


Rets - Você acredita que há uma crise ética das ONGs?


Lauro Monteiro - Não exatamente. Porém, as entidades precisam ser mais independentes. As ONGs estão em crise financeira e a Abrapia é um exemplo disso. Elas não sabem ganhar dinheiro e nem acham que devem. Ainda assim, há pessoas que vêem o trabalho nesse setor como um grande negócio.


Rets - Na sua opinião, qual é o papel das ONGs hoje em dia?


Lauro Monteiro - As ONGs não podem ser responsáveis eternas pelos serviços que introduzem. Nosso papel é divulgar idéias, ser proativos, cobrar, criar. O governo, entretanto, é no máximo reativo. Nosso papel não é atender, prestar os serviços do Estado para sempre, mas os governos sempre acham que as ONGs vão dar um jeito de levar adiante programas que criam e que muitas vezes são reconhecidos como uma necessidade.


Rets - Com o fim da Abrapia, surgiu o Observatório da Infância e da Adolescência. Como ele funcionará?


Lauro Monteiro - Está tudo muito lento, pois estou pagando tudo do meu bolso. Estou em busca de apoio. Levei um ano fazendo o site, no qual pretendo divulgar os direitos das crianças e cobrar medidas neste sentido. Também vou fazer palestras e me relacionar com a mídia.


Rets - Há 20 anos o senhor atua nessa área. A situação melhorou?


Lauro Monteiro - Comecei em 1980 no Hospital Souza Aguiar, no Rio, e, desde então, vejo muitas melhorias. Naquela época, por exemplo, as mães não podiam acompanhar os filhos doentes. Era proibido. Para a opinião pública, o abuso sexual não existia - na verdade, ninguém falava sobre isso, era coisa de menino de rua. Hoje já se fala, sabemos que acontece em todas as classes sociais. Foi feito o Estatuto da Criança e do Adolescente, cujo cumprimento não é ideal, mas existe. Então, de uma forma geral, as coisas estão melhores na luta pelos direitos da infância e adolescência.


(Fonte: Marcelo Medeiros - www.rits.org.br)

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Maior incidência de bullying nas escolas públicas está entre alunos do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental


Dados são da pesquisa realizada pelo Ministério Público Estadual para elaboração da cartilha "Bullying não é brincadeira"



Uma pesquisa realizada pelo Ministério Público Estadual (MPE) mostra que o bullying faz parte do dia a dia das crianças das redes estadual e municipais de ensino. A pesquisa foi feita em 2010 para ser apresentada junto com a cartilha "Bullying não é brincadeira", lançada no início de 2011, e apresenta dados específicos sobre o problema, como o fato dos alunos do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental serem os que mais sofrem.

Maria Cristina Rocha Pimentel, promotora do MPE e dirigente do Centro de Apoio de Implementação das Políticas de Educação, ressaltou que o problema "é mais comum do que a gente imagina". A pesquisa foi enviada para as todas as escolas públicas dos 78 municípios do Estado, "mas só 56 municípios responderam. Não fizemos com as escolas particulares, mas tudo indica, pelas denúncias, que é grande o número de alunos vítimas de bullying na rede privada", explica a promotora.
Segundo a pesquisa, 60% dos alunos que sofrem bullying nas escolas públicas são do 1º ao 5 ano do Ensino Fundamental. Do 6º ao 9º ano estão 32% das vítimas. O Ensino Médio fica com 8% dos casos. "Podemos afirmar que as séries iniciais são as que tem maior incidência do bullying", afirma Maria Pimentel. De acordo com a promotora, outros fato que chamou a atenção na pesquisa foi a idade dos agressores. Entre as idade de 11 e 17 anos estão 65 %  dos agressores. Quanto aos maiores de 18 anos, a promotora relata que foi identificado um percentual muito pequeno de vitimas.




 A pesquisa também mostrou que o maior número de agressões são as psicológicas, "que são a verbal e a moral, e também foi percebido um percentual mínimo, mas significante, do cyberbullying na internet e no celular", pontua a promotora. Maria Pimentel ressaltou também o comportamento das testemunhas do bullying. Segundo ela, "32% dos alunos que testemunham a agressão, omite o fato ou faz de conta que nada aconteceu. 42 % riem e se divertem. Mas muito poucos denunciam aos diretores."

Os alunos que mais são vítimas de bullying são "aqueles considerados fora dos padrões normais, como estatura e tipo físico e também aqueles com necessidades especiais. Também existe grande incidência bullying com os alunos de baixa renda e com os que são tímidos", relata a promotora. Maria Cristina Rocha Pimentel destaca que o bullying ultrapassa a brincadeira e que existem regimentos nas escolas classificando as infrações. "Se o que chamam de brincadeira de mau gosto começa a se repetir, passa a ser uma prática de bullying. Pode ser aplicada advertência verbal ou escrita para aluno na presença do familiar. Se evoluir para agressão física já é um ato infracional."

Fonte: http://t.co/FDdqiL9
Patrícia Vallim - Rádio CBN Vitória (93,5 FM)



terça-feira, 3 de maio de 2011

Bullying: quando a escola não é um paraíso



Geane de Jesus Silva,
psicopedagoga, professora de Psicologia da Educação e
coordenadora pedagógica, Jitaúna, BA.
Endereço eletrônico: enaeg@hotmail.com

     Brigas, ofensas, disseminação de comentários maldosos, agressões físicas e psicológicas, repressão. A escola pode ser palco de todos esses comportamentos, transformando a vida escolar de muitos alunos em um verdadeiro inferno.

     Gislaine, aluna da 2ª série, de oito anos, estava faltando frequentemente à escola. Quando comparecia, chorava muito e não participava das aulas, alegando dores de cabeça e medo. Certo dia, alguns alunos procuraram a professora da turma dizendo que a garota estava sofrendo ameaças. Teria que dar suas roupas, sapatos e dinheiro para outra aluna, caso contrário apanharia e seria cortada com estilete. 


     Carlos, da 5ª série, foi vítima de alguns colegas por muito tempo, porque não gostava de futebol. Era ridicularizado constantemente, sendo chamado de gay nas aulas de educação física. Isso o ofendia sobremaneira, levando-o a abrigar pensamentos suicidas, mas antes queria encontrar uma arma e matar muitos dentro da escola.


     Os casos descritos acima são reais e revelam a agressão sofrida por crianças dentro da escola, colhidos e narrados por Cleo Fante como parte de uma pesquisa sobre a violência nas escolas, publicados em seu livro “Fenômeno Bullying: como prevenir a violência nas escolas e educar para a paz”. Esses e muitos outros casos de agressões e violências entre os alunos desde as séries iniciais até o ensino médio, demonstram uma realidade assustadora que muitos desconhecem, ou não percebem, trazendo à tona a discussão sobre o fenômeno bullying, o grande vilão de toda essa história. Mas o que é? Quais as causas? Como prevenir?


Significado do termo


     A palavra bullying é derivada do verbo inglês bully que significa usar a superioridade física para intimidar alguém. Também adota aspecto de adjetivo, referindo-se a “valentão”, “tirano”. Como verbo ou como adjetivo, a terminologia bullying tem sido adotada em vários países como designação para explicar todo tipo de comportamento agressivo, cruel, intencional e repetitivo inerente às relações interpessoais. As vítimas são os indivíduos considerados mais fracos e frágeis dessa relação, transformados em objeto de diversão e prazer por meio de “brincadeiras” maldosas e intimidadoras.


Desconhecimento e indiferença


     Estudos indicam que as simples “brincadeirinhas de mau-gosto” de antigamente, hoje denominadas bullying, podem revelar-se em uma ação muito séria. Causam desde simples problemas de aprendizagem até sérios transtornos de comportamento responsáveis por índices de suicídios e homicídios entre estudantes.
     Mesmo sendo um fenômeno antigo, mantém ainda hoje um caráter oculto, pelo fato de as vítimas não terem coragem suficiente para uma possível denúncia. Isso contribui com o desconhecimento e a indiferença sobre o assunto por parte dos profissionais ligados à educação. Pode ser manifestado em qualquer lugar onde existam relações interpessoais.


Conseqüências marcantes


     As conseqüências afetam a todos, mas a vítima, principalmente a típica (ver quadro), é a mais prejudicada, pois poderá sofrer os efeitos do seu sofrimento silencioso por boa parte de sua vida. Desenvolve ou reforça atitude de insegurança e dificuldade relacional, tornando-se uma pessoa apática, retraída, indefesa aos ataques externos.
     Muitas vezes, mesmo na vida adulta, é centro de gozações entre colegas de trabalho ou familiares. Apresenta um autoconceito de menos-valia e considera-se inútil, descartável. Pode desencadear um quadro de neuroses, como a fobia social e, em casos mais graves, psicoses que, a depender da intensidade dos maus-tratos sofridos, tendem à depressão, ao suicídio e ao homicídio seguido ou não de suicídio.
     Em relação ao agressor, reproduz em suas futuras relações, o modelo que sempre lhe trouxe “resultados”: o do mando-obediência pela força e agressão. É fechado à afetividade e tende à delinqüência e à criminalidade.
     Isso, de certa maneira, afeta toda a sociedade. Seja como agressor, como vítima, ou até espectador, tais ações marcam, deixam cicatrizes imperceptíveis em curto prazo. Dependendo do nível e intensidade da experiência, causam frustrações e comportamentos desajustados gerando, até mesmo, atitudes sociopatas.


O papel da educação


     A educação do jovem no século XXI tem se tornado algo muito difícil, devido à ausência de modelos e de referenciais educacionais. Os pais de ontem, mostram-se perdidos na educação das crianças de hoje. Estão cada vez mais ocupados com o trabalho e pouco tempo dispõem para dedicarem-se à educação dos filhos. Esta, por sua vez, é delegada a outros, ou em caso de famílias de menor poder aquisitivo, os filhos são entregues à própria sorte.
     Os pais não conseguem educar seus filhos emocionalmente e, tampouco, sentem-se habilitados a resolverem conflitos por meio do diálogo e da negociação de regras. Optam muitas vezes pela arbitrariedade do não ou pela permissividade do sim, não oferecendo nenhum referencial de convivência pautado no diálogo, na compreensão, na tolerância, no limite e no afeto.
     A escola também tem se mostrado inabilitada a trabalhar com a afetividade. Os alunos mostram-se agressivos, reproduzindo muitas vezes a educação doméstica, seja por meio dos maus-tratos, do conformismo, da exclusão ou da falta de limites revelados em suas relações interpessoais.
     Os professores não conseguem detectar os problemas, e muitas vezes, também demonstram desgaste emocional com o resultado das várias situações próprias do seu dia sobrecarregado de trabalhos e dos conflitos em seu ambiente profissional. Muitas vezes, devido a isso, alguns professores contribuem com o agravamento do quadro, rotulando com apelidos pejorativos ou reagindo de forma agressiva ao comportamento indisciplinado de alguns alunos.


O que a família pode fazer?


     Não há receita eficaz de como educar filhos, pois cada família é um mundo particular com características peculiares. Mas, apesar dessa constatação, não se pode cruzar os braços e deixar que as coisas aconteçam, sem que os educadores (primeiros responsáveis pela educação e orientação dos filhos e alunos) façam algo a respeito.
     A educação pela e para a afetividade já é um bom começo. O exercício do afeto entre os membros de uma família é prática primeira de toda educação estruturada, que tem no diálogo o sustentáculo da relação interpessoal. Além disso, a verdade e a confiabilidade são os demais elementos necessários nessa relação entre pais e filhos. Os pais precisam evitar atitudes de autoproteção em demasia, ou de descaso referente aos filhos. A atenção em dose certa é elementar no processo evolutivo e formativo do ser humano.


O que a escola pode fazer?


     Em relação à escola, em primeiro lugar, deve conscientizar-se de que esse conflito relacional já é considerado um problema de saúde pública. Por isso, é preciso desenvolver um olhar mais observador tanto dos professores quanto dos demais profissionais ligados ao espaço escolar. Sendo assim, deve atentar-se para sinais de violência, procurando neutralizar os agressores, bem como assessorar as vítimas e transformar os espectadores em principais aliados.
     Além disso, tomar algumas iniciativas preventivas do tipo: aumentar a supervisão na hora do recreio e intervalo; evitar em sala de aula menosprezo, apelidos, ou rejeição de alunos por qualquer que seja o motivo. Também pode-se promover debates sobre as várias formas de violência, respeito mútuo e a afetividade tendo como foco as relações humanas.
     Mas tais assuntos precisam fazer parte da rotina da escola como ações atitudinais e não apenas conceituais. De nada valerá falar sobre a não-violência, se os próprios profissionais em educação usam de atos agressivos, verbais ou não, contra seus alunos. Ou seja, procurar evitar a velha política do “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”.


Ações exemplares


     Há diversos exemplos claros de ação eficiente contra o bullying no espaço escolar. Uma delas é o programa “Educar para a paz”, criado e desenvolvido por Cleo Fante e equipe, que trabalha com estratégias de intervenção e prevenção contra a violência na escola. Além disso, também existem sites sobre o assunto como que visam a alertar e informar profissionais e pais no combate ao bullying.